Quarta-feira, Setembro 13, 2006

No vastíssimo Atlântico tive o prazer de habitar, por uns breves e magníficos dias, a ilha Berlenga. Destino, que apesar de bastante desejado, mostrava-se complicado de alcançar. Foram necessárias algumas paragens para suprimir a fome presente e prevenir a futura.

Um rastro marítimo fazia-se sentir, Peniche estava perto. Aqui, investigámos as rotinas nocturnas, infiltrando-nos entre os presentes. Como turistas exemplares, não nos contentámos com o que se encontrava ao nosso alcance pedestre. Recorremos ao meio de transporte que dispúnhamos, rumo ao Baleal! Conhecemos o tão falado Brunos, que temos agora em grande consideração. Nesta noite, única, o Mr. Perfect Timing brilhou, atingindo o seu auge, com saídas imprevisíveis e sem dúvida, perspicazes. “Já te calavas!”, ao seu estilo disse. Enquanto eu e o Berlenguense nos riamos até à exaustão, o Lol Guy mostrava-se indignado por se encontrar em pleno silêncio quando tamanha repreensão foi pronunciada pelo mestre. E não ficou por aqui, inocente pergunta, querendo por resposta as horas, terminou com “São as mesmas que ontem à mesma hora.”, dito isto, quem a pergunta perguntou, com a mesma ficou. E a mais não somos obrigados, que ouvir e aprender com quem ensina gratuitamente. Por relatar desta noite, falta a manhã. Do preto, passámos ao branco e com ele o frio se juntou. Bem ditas toalhas, que tornaram a estadia na praia do Baleal mais confortável. Aconchegados, deliciámo-nos com todo o envolvente da praia e companhia, enquanto os restantes membros da equipa treinavam a sua pontaria, pontaria certeira que só o Moço se pode gabar.

Horas de embarcar! Esperáva-nos meia hora de turbulência, prova que seria ultrapassada se os desprezados plásticos, distribuídos pelos tripulantes, não fossem usados.

À prova, estava a ser submetido o nosso espírito de aventura, tendo em conta que as condições que iríamos enfrentar, eram no mínimo diferentes do habitualmente experienciado. Água potável restrita aos madrugadores, nós que estávamos incluídos no estereotipo, só no último dia è que tivemos conhecimento, usufruindo então do que era nosso por direito. Água canalizada, esta, nem aos devoradores da manhã pertencia. Quanto ao sol, da sua companhia nos despedíamos e na sua ausência não só a lua ocupava lugar, como também luz artificial, exceptuando quando as inesperadas descargas atingiam o gerador. Chegada a hora do descanso, dispúnhamos de um piso extremamente confortável, que nos presenteava pela manhã com ligeiras dores musculares, articulares e sauna como oferta. Acordávamos com o cântico das gaivotas e adormecíamos com os frenéticos 82, 7, menos conhecidos por Airos. Para além da banda sonora vinte e quatro horas, tínhamos como um extra substâncias com consistência semelhante a protector solar, houve mesmo quem os confundisse. Tudo porque as previsões do Lol Guy caiam por terra, este tentou, por outros meios, aldrabar o destino do Moço. Artimanha que despoletou gargalhadas sincrones. Quem não achava piada nenhuma à dita cuja substância, era o Berlenguense, que se sentia constantemente perseguido, até que um dia as suas suspeitas de tornarem realidade, para grande infelicidade do próprio. Tamanha imensidão animal, que despertava nas horas de mais acalmia e nas áreas mais críticas atingidas,desconforto, paradoxalmente, nas restantes, deslumbramento. Mais que deslumbrantes eram os nossos vizinhos, os Putos Vikings, cuja inteligência além de absolutamente chocante, era impossível de acompanhar. Decidimos ficar pela plateia e apreciar o espectáculo.

Adaptados ás adversidades, tínhamos por lema “Carpe Diem”!

No castelinho saciamos a nossa fome e desforramo-nos com cartadas hilariantes, ao som da tão bela Madalena. Eu e o Lol Guy, a dupla imbatível, que depois de tantas vitórias, achámos por bem proporcionar breves momentos de glória ao trio, Berlenguense, Moço e Mr. Perfect Timing, no jogo mais divertido de todos os tempos, o famoso Keime-se! Queimados ficámos os dois por com o fogo querermos brincar. Lição do dia: ditado é para ser analisado! E Madalena…

Na praia desfrutámos de uma piscina cristalina, que nos proporcionou banhos inesquecíveis. Perante magnifico esplendor, o tempo passou e com ele os pés enterrou. Refresco alternado entre o culto do físico, quando praticávamos Voley, jogos renhidos que se realizavam numa zona de perigo eminente, com riscos elevados de ataque cardíaco. Como todos nós temos o nosso dia de sorte, houve um que coube ao Moço. Prevendo o desfecho, aproveitou-se da sua vantagem astrológica e desafiou a dupla para um joguinho, cujo pódio já estava garantido. Escusado seria fazer uso dos nossos dotes, quando as estrelas estavam não a nosso favor, mas contra nós. Caso que pode alterar a opinião de muitos sépticos. Para diversificar o desporto, não só houve jogos de Voley, como também de Futebol. Mais de metade da equipa manteve-se fiel ao Voley, não vá o Diabo tece-las, a resistente jogou com quem os convidou. E Madalena…

Tivemos a oportunidade de ver e fotografar uma das pequenas maravilhas da Berlenga, a tromba do elefante, que espalhava magia à já preexistente. Não muito distante desta realidade encontrava-se o Forte, ocupado pelos “menos aventureiros”, onde era possível vislumbrar a grandiosa baleia, que fazia questão em exibir a sua beleza. Aos pés desta fortaleza tínhamos acesso aos barcos, que nos transportavam para o mundo da fantasia. Caminhos incertos, grutas enfeitiçadas, uma delas, a gruta azul, onde a luz se encontra no interior de cada um de nós. O que de barco percorrido não foi, a nado lá se chegou. Em turnos, explorámos o que à superfície se esconde. O que observei acendeu o vício que há em mim, surpreender-me com as relíquias que cada um guarda e revela com encanto próprio.

Muitas aventuras serão guardadas na memória e relatadas aos mais próximos, para que se saiba que o paraíso somos nós que o fazemos. Nós os cinco, apesar de termos estado num, precisamos uns dos outros para torná-lo nosso. Lá lá lá lá lá lá…

Pequena grande aventura dedicada ao Propedêutico, que por motivos de maior importância profissional não pode comparecer. E Madalena…




















Tuna Universitária Do Porto - MadalenaMadalena