No vastíssimo Atlântico tive o prazer de habitar, por uns breves e magníficos dias, a ilha Berlenga. Destino, que apesar de bastante desejado, mostrava-se complicado de alcançar. Foram necessárias algumas paragens para suprimir a fome presente e prevenir a futura.
Um rastro marítimo fazia-se sentir, Peniche estava perto. Aqui, investigámos as rotinas nocturnas, infiltrando-nos entre os presentes. Como turistas exemplares, não nos contentámos com o que se encontrava ao nosso alcance pedestre. Recorremos ao meio de transporte que dispúnhamos, rumo ao Baleal! Conhecemos o tão falado Brunos, que temos agora em grande consideração. Nesta noite, única, o Mr. Perfect Timing brilhou, atingindo o seu auge, com saídas imprevisíveis e sem dúvida, perspicazes. “Já te calavas!”, ao seu estilo disse. Enquanto eu e o Berlenguense nos riamos até à exaustão, o Lol Guy mostrava-se indignado por se encontrar em pleno silêncio quando tamanha repreensão foi pronunciada pelo mestre. E não ficou por aqui, inocente pergunta, querendo por resposta as horas, terminou com “São as mesmas que ontem à mesma hora.”, dito isto, quem a pergunta perguntou, com a mesma ficou. E a mais não somos obrigados, que ouvir e aprender com quem ensina gratuitamente. Por relatar desta noite, falta a manhã. Do preto, passámos ao branco e com ele o frio se juntou. Bem ditas toalhas, que tornaram a estadia na praia do Baleal mais confortável. Aconchegados, deliciámo-nos com todo o envolvente da praia e companhia, enquanto os restantes membros da equipa treinavam a sua pontaria, pontaria certeira que só o Moço se pode gabar.
Horas de embarcar! Esperáva-nos meia hora de turbulência, prova que seria ultrapassada se os desprezados plásticos, distribuídos pelos tripulantes, não fossem usados.
À prova, estava a ser submetido o nosso espírito de aventura, tendo em conta que as condições que iríamos enfrentar, eram no mínimo diferentes do habitualmente experienciado. Água potável restrita aos madrugadores, nós que estávamos incluídos no estereotipo, só no último dia è que tivemos conhecimento, usufruindo então do que era nosso por direito. Água canalizada, esta, nem aos devoradores da manhã pertencia. Quanto ao sol, da sua companhia nos despedíamos e na sua ausência não só a lua ocupava lugar, como também luz artificial, exceptuando quando as inesperadas descargas atingiam o gerador. Chegada a hora do descanso, dispúnhamos de um piso extremamente confortável, que nos presenteava pela manhã com ligeiras dores musculares, articulares e sauna como oferta. Acordávamos com o cântico das gaivotas e adormecíamos com os frenéticos 82, 7, menos conhecidos por Airos. Para além da banda sonora vinte e quatro horas, tínhamos como um extra substâncias com consistência semelhante a protector solar, houve mesmo quem os confundisse. Tudo porque as previsões do Lol Guy caiam por terra, este tentou, por outros meios, aldrabar o destino do Moço. Artimanha que despoletou gargalhadas sincrones. Quem não achava piada nenhuma à dita cuja substância, era o Berlenguense, que se sentia constantemente perseguido, até que um dia as suas suspeitas de tornarem realidade, para grande infelicidade do próprio. Tamanha imensidão animal, que despertava nas horas de mais acalmia e nas áreas mais críticas atingidas,desconforto, paradoxalmente, nas restantes, deslumbramento. Mais que deslumbrantes eram os nossos vizinhos, os Putos Vikings, cuja inteligência além de absolutamente chocante, era impossível de acompanhar. Decidimos ficar pela plateia e apreciar o espectáculo.
Adaptados ás adversidades, tínhamos por lema “Carpe Diem”!
No castelinho saciamos a nossa fome e desforramo-nos com cartadas hilariantes, ao som da tão bela Madalena. Eu e o Lol Guy, a dupla imbatível, que depois de tantas vitórias, achámos por bem proporcionar breves momentos de glória ao trio, Berlenguense, Moço e Mr. Perfect Timing, no jogo mais divertido de todos os tempos, o famoso Keime-se! Queimados ficámos os dois por com o fogo querermos brincar. Lição do dia: ditado é para ser analisado! E Madalena…